3 destinos em MG imersos na natureza para renovar a alma no feriado
Quer fugir do asfalto no feriado? Conheça 3 destinos em MG imersos na natureza, como Ipoema e Catas Altas, e renove a cabeça
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
31/03/2026
Sabe aquele momento em que a cabeça pede um freio e a única vontade é enfiar o pé na terra para esquecer o trânsito da cidade grande? Separamos 3 destinos em MG imersos na natureza onde o barulho de buzina simplesmente não chega nas janelas das pousadas. É um roteiro direto ao ponto para quem precisa descansar sem gastar horas no computador traçando rotas, garantindo a paz real que só o interior consegue entregar nos feriados prolongados.
Por que Ipoema é a parada certa para quem gosta de mato?
Esse distrito de Itabira preserva a cultura dos tropeiros e tem aquela rotina pesada de interior onde os moradores passam a tarde conversando na calçada sem olhar o relógio. O ambiente é muito mais sossegado do que as cidades turísticas tradicionais, garantindo espaço de sobra para você beber um café coado na hora sem precisar disputar cadeiras nos comércios da rua principal.
O principal motivo que leva as pessoas até lá é a quantidade de água gelada escondida nas propriedades rurais espalhadas em volta de toda a vila. Para quem quer bater perna nas estradas de terra e cortar o calor forte do meio-dia no interior, o mapa local entrega algumas rotas certas:
Cachoeira Alta, com um paredão gigante que impressiona de perto.
Cachoeira do Patrocínio Amaro, que tem o acesso bem mais simples.
Museu do Tropeiro, para gastar a tarde entendendo o passado da vila.
Bares pequenos no entorno da praça principal para fechar a noite.
A rotina devagar de Bichinho muda o ritmo da sua viagem
Logo ao lado de Tiradentes, o povoado de Bichinho prova que dá para aproveitar muito o feriado sem precisar cumprir metas de turismo ou bater ponto em dezenas de pontos turísticos. A rua principal é de calçamento bruto, não tem sinal de trânsito e o foco total do lugar é a venda de coisas de casa, atraindo quem gosta de trabalhos manuais bem feitos.
A vila não tem baladas ou grandes aglomerações noturnas, e o programa de quem chega é basicamente andar no sol sentindo o cheiro de serragem que sai das oficinas abertas. Quem decide encostar o carro na região foca em comer pratos cheios e garimpar coisas para o quintal, aproveitando atrações como:
Oficinas de artesãos focadas em restos de madeira e ferro retorcido.
Lojas com móveis pesados expostos diretamente nas calçadas tortas.
Restaurantes servindo lombo de porco nas panelas grossas de barro.
Igreja de Nossa Senhora da Penha, localizada bem no meio do vilarejo.
Botecos de esquina que vendem pinga curtida nas garrafas de vidro.


Igreja histórica em Ipoema, com fachada branca e azul, torre sineira, árvores sem folhas e casarão colonial ao lado - Foto: Igor Souza
O que faz a vista de Catas Altas valer o tanque de gasolina?
Catas Altas fica totalmente espremida no pé da Serra do Caraça e entrega um visual bruto que deixa qualquer motorista calado logo na placa de entrada da cidade. O contraste das casas baixinhas coloridas batendo de frente com a muralha de pedra escura no fundo é uma cena muito fora do comum para quem vive cercado por prédios cinzas.
A vida por lá roda em torno da praça principal, onde quem mora na cidade e quem vem de fora dividem os bancos para tomar cerveja de garrafa nas tardes quentes. Se você tem fôlego para suar a camisa caminhando pelo cascalho para explorar o entorno, vai encontrar pelo caminho as seguintes opções:
O famoso Bicame de Pedra, um aqueduto antigo isolado no meio do nada.
Trilhas de pedra pesadas na base da serra que exigem pernas fortes.
Capela de Santa Quitéria no alto do morro que garante um vento constante.
Quedas de água gelada escondidas dentro das fazendas abertas ao público.
Vinho de jabuticaba bem denso vendido diretamente nas janelas das casas.
Queijos frescos comercializados pelos produtores no quintal de casa.


Casa torta, colorida em Bichinho, com fachadas azul e vermelha, janelas amarelas e visual criativo - Foto: Igor Souza
O dinheiro de papel ainda é essencial no meio da serra
Um erro infantil de quem viaja direto de capitais é achar que o aplicativo do banco no celular vai resolver os problemas de pagamento em qualquer birosca de beira de estrada. O sinal de telefonia nas montanhas some por horas seguidas durante as chuvas, e as maquininhas de cartão travam justamente na hora que o restaurante está mais cheio.
Andar com um maço de notas trocadas guardadas na carteira é a tática de sobrevivência mais velha para não passar vontade de comprar uma garrafa de água no meio do mato. Muitos moradores que vendem broa e cachaça nas janelas sequer trabalham com transferências digitais, e o dinheiro físico resolve o assunto de forma direta e sem estresse.
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Como driblar as estradas de terra usando carros baixos?
Sair do asfalto perfeito faz parte do custo para entrar nesses cantinhos escondidos, e a poeira funciona perfeitamente como uma barreira que expulsa os motoristas afobados e impacientes. Você não precisa alugar uma caminhonete de carga para chegar nessas praças, basta engatar a segunda marcha e aceitar que o trajeto no cascalho exige muito mais tempo e paciência.
Tirar o pé do acelerador poupa a parte de baixo do seu carro comum e livra você de depender de oficinas mecânicas que quase sempre fecham as portas no meio do feriado. Entender que o acesso ruim é o que mantém o isolamento e a paz da cidade é o primeiro passo para começar a descansar antes mesmo de descarregar a mala.


Flores amarelas e roxas em primeiro plano em Catas Altas, com casarões colonias e montanhas ao fundo - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


