Essa cidade mineira é pequena, mas guarda o maior orgulho doce de Minas
Conheça Lagoa Dourada, a Capital Nacional do Rocambole em Minas Gerais, onde o sabor e a tradição transformaram o doce em patrimônio
Lagoa Dourada é daquelas cidades mineiras que provam que o tamanho não define importância. Pequena, acolhedora e repleta de histórias, ela se tornou famosa por um motivo delicioso: o rocambole. Mais do que um doce, o rocambole é parte da identidade local e o símbolo de uma tradição que une gerações.
Reconhecida oficialmente como a Capital Nacional do Rocambole.
Cidade com mais de um século de tradição na receita do doce.
Um destino gastronômico que mistura cultura, fé e hospitalidade mineira.
Por que Lagoa Dourada é conhecida como a Terra do Rocambole?
O título de Terra do Rocambole nasceu naturalmente, conforme o doce ganhou fama dentro e fora de Minas. As padarias e confeitarias locais transformaram a receita em arte: massa leve, pão de ló delicado e recheios que variam entre o clássico doce de leite e opções como goiabada, chocolate e coco.
O preparo, passado de geração em geração, é motivo de orgulho para a cidade. Os moradores enxergam o rocambole não apenas como produto, mas como símbolo de identidade. Em cada rolo, há um pouco da história e do jeito mineiro de preservar o que é feito à mão, com paciência e afeto.
Como a cidade se tornou Capital Nacional do Rocambole?
O reconhecimento oficial consolidou aquilo que os mineiros já sabiam há tempos. Lagoa Dourada conquistou o título de Capital Nacional do Rocambole como forma de valorizar a produção local e destacar a importância cultural do doce para a região. A lei reforçou o papel do município no cenário turístico e gastronômico de Minas.
Com a repercussão, a cidade passou a receber mais visitantes interessados em provar o autêntico rocambole lagoense. As confeitarias, que antes atendiam apenas os moradores, passaram a abrir as portas para turistas de todas as partes do país, consolidando o doce como motor da economia local.
O que torna o rocambole de Lagoa Dourada tão especial?
O segredo está na simplicidade e na técnica. A massa é fina e flexível, o recheio generoso e o toque final é o cuidado de quem enrola o doce com as mãos. Diferente das versões industriais, o rocambole de Lagoa Dourada preserva o sabor caseiro e a textura macia que derrete na boca.
Essa autenticidade fez com que a cidade criasse uma espécie de “rota do rocambole”, com dezenas de lojas especializadas. Em cada esquina há uma vitrine colorida e perfumada, onde o visitante pode escolher seu sabor favorito e acompanhar o processo de enrolar o doce, um espetáculo à parte.
Sabores mais procurados:
Doce de leite tradicional.
Goiabada com queijo.
Chocolate com coco.
Maracujá e leite condensado.
A importância cultural e econômica dessa tradição
O rocambole é, ao mesmo tempo, sustento e símbolo. Ele move a economia local e mantém viva uma tradição centenária. Pequenas padarias e confeitarias familiares prosperam com a venda do doce, e muitas delas se transformaram em ponto turístico.
Culturalmente, o rocambole é patrimônio afetivo. Ele representa a união entre passado e presente, entre o artesanal e o comercial. Cada morador sente orgulho de fazer parte dessa história — e o visitante percebe isso no atendimento, nas conversas e na alegria de quem vive do próprio ofício.


Lagoa Dourada/MG - Foto: Igor Souza


Lagoa Dourada/MG - Fotos: Igor Souza
O que o visitante encontra além do doce?
Apesar de o rocambole ser o principal atrativo, Lagoa Dourada oferece outras experiências encantadoras. As ruas são tranquilas, as praças arborizadas e o clima é típico do interior mineiro: acolhedor, calmo e cheio de boas histórias. Caminhar pelo centro é mergulhar em uma atmosfera onde o tempo parece correr devagar.
Além disso, a cidade faz parte do circuito do Campo das Vertentes e está inserida na rota da Estrada Real. Isso torna o passeio ainda mais interessante, pois o visitante pode combinar a degustação do rocambole com visitas a igrejas antigas, feiras de artesanato e festas religiosas tradicionais.
Experiências imperdíveis:
Passear pela praça principal e provar rocamboles frescos.
Conhecer confeitarias familiares e ouvir suas histórias.
Participar de festas religiosas e eventos culturais locais.
Como é a visita à cidade e o que esperar?
Lagoa Dourada está a cerca de 150 quilômetros de Belo Horizonte, com acesso fácil por rodovias que ligam a capital ao Campo das Vertentes. A viagem até lá é um convite à contemplação: paisagens rurais, plantações e serras emolduram o caminho, criando o clima ideal para quem busca descanso.
Ao chegar, o visitante encontra um ambiente simples e acolhedor. As lojas de rocambole se alinham ao longo da avenida principal, e o aroma doce invade as ruas. É comum ver viajantes carregando caixas cuidadosamente embaladas para levar o sabor de Minas de volta para casa.
De onde vem a história desse doce famoso?
O rocambole chegou à cidade no início do século XX, trazido por imigrantes que adaptaram receitas europeias ao paladar mineiro. O doce, que antes era preparado em ocasiões especiais, passou a ser produzido em larga escala à medida que o turismo e o comércio se desenvolveram.
A receita tradicional resistiu ao tempo, mesmo com as variações modernas. O segredo está na fidelidade às origens e no uso de ingredientes simples, mas de qualidade. Essa combinação entre tradição e sabor é o que mantém viva a fama do rocambole até hoje.
Quais curiosidades cercam o rocambole de Lagoa Dourada?
Uma das curiosidades mais interessantes é que muitos confeiteiros enrolam o doce ainda quente, o que ajuda a manter sua forma e textura. Outro detalhe curioso é que algumas confeitarias produzem mais de mil rocamboles por semana, especialmente em feriados prolongados.
A cidade também realiza eventos que celebram o doce, reunindo produtores e visitantes em torno da receita mais famosa de Minas. Essas celebrações reforçam o vínculo entre a comunidade e sua iguaria, transformando o simples ato de comer um doce em experiência cultural.
Curiosidades sobre o rocambole:
Produção artesanal feita diariamente.
Enrolado à mão, um a um.
Vendido em caixas decoradas e personalizadas.
Quando é a melhor época para visitar Lagoa Dourada?
A cidade pode ser visitada durante todo o ano, mas os meses de clima ameno — entre abril e agosto — são ideais para aproveitar o passeio com tranquilidade. Nesse período, o movimento de turistas é menor e o clima favorece as caminhadas pelo centro.
Já nas datas comemorativas, como feriados e festas religiosas, a cidade se enche de visitantes e o ritmo fica mais animado. É quando as confeitarias ampliam a produção e os aromas doces tomam conta das ruas, criando uma atmosfera ainda mais acolhedora.
O que representa o título de Capital Nacional do Rocambole?
Ser a Capital Nacional do Rocambole é mais do que um título simbólico. É o reconhecimento do esforço coletivo de uma cidade que transformou um doce em símbolo cultural e econômico. A cada nova geração de confeiteiros, a tradição se renova e ganha novos sabores, mas sem perder a essência.
Esse título também projeta Lagoa Dourada para o turismo nacional, atraindo pessoas que buscam experiências autênticas. É a prova de que uma cidade pequena pode se tornar grande quando valoriza o que tem de mais genuíno.
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Um convite para saborear Minas Gerais
Conhecer Lagoa Dourada é viver uma experiência completa: história, gastronomia e hospitalidade se misturam em um cenário típico do interior mineiro. A cidade é prova de que o sabor pode contar histórias e unir pessoas.
Ao provar um rocambole fresquinho, ainda morno, o visitante entende por que o doce virou símbolo local. É a doçura que resume Minas em uma mordida — simples, acolhedora e feita com amor. Em Lagoa Dourada, cada pedaço é uma lembrança que fica.
Sobre o autor:
Igor Souza é criador do Olhares por Minas, fotógrafo e especialista em turismo mineiro. Viaja por cidades históricas, cachoeiras e vilarejos, buscando contar as histórias que Minas tem a oferecer. Saiba mais sobre o autor clicando aqui.


