O erro de quem vai para Ouro Preto e esquece de subir a serra

Muitos visitam Ouro Preto e cometem o erro de ignorar o distrito vizinho. Descubra por que subir a serra até Lavras Novas transforma sua viagem histórica em uma experiência completa.

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
20/02/2026

Visitar a antiga Vila Rica e não subir a serra é viver uma experiência pela metade, ignorando o refúgio rústico que paira acima das nuvens a poucos quilômetros do centro histórico. O erro clássico de muitos viajantes é limitar o roteiro ao calçamento urbano da sede e esquecer de conhecer Lavras Novas, um distrito entre 1.300 e 1.500 metros de altitude onde o luxo real é o isolamento, o silêncio e a vista das montanhas.

Por que sua viagem fica incompleta sem essa subida?

Enquanto Ouro Preto oferece uma imersão cultural densa e movimentada, Lavras Novas funciona como a válvula de escape necessária para a mente e o corpo. O distrito entrega um contato bruto com a natureza e uma atmosfera de paz que parece ter parado no tempo, longe da agitação turística das ladeiras centrais.

A combinação dos dois destinos cria o equilíbrio perfeito para o viajante moderno, unindo a riqueza do patrimônio histórico com a liberdade do ecoturismo. Ignorar os 19 km que separam esses dois mundos é desperdiçar a chance de viver a dualidade de Minas Gerais: a história construída pelo homem e a grandiosidade esculpidas pela natureza.

A paisagem que transforma o cansaço em contemplação

A mudança de cenário é drástica e acontece em questão de minutos: você deixa para trás os telhados coloniais e entra em um mar de montanhas verdes na Serra do Espinhaço. A principal atração aqui não exige filas ou ingressos; basta encontrar um mirante e observar o sol se pondo atrás das serras, pintando o céu com cores vibrantes.

Essa transição visual "abre" os pulmões e oferece uma perspectiva de liberdade que as ruas estreitas da cidade histórica não conseguem entregar. É o momento de trocar a câmera fotográfica focada em fachadas por um olhar panorâmico, respirando o ar puro e rarefeito da altitude para recarregar as energias.

O que fazer para agitar o dia longe do asfalto?

O relevo acidentado transformou o distrito na capital regional do off-road, atraindo quem busca trocar o passeio a pé pela adrenalina motorizada. O som dos sinos dá lugar ao motor dos quadriciclos e UTVs, que são os veículos ideais para rasgar as trilhas de terra e alcançar pontos de difícil acesso.

Além da poeira e da aventura, a região é cercada por quedas d'água refrescantes que recompensam o esforço da caminhada. Para quem deseja explorar o melhor do ecoturismo local, estas são as paradas obrigatórias que garantem diversão e belas fotos:

  • Passeios de Quadriciclo: A melhor forma de explorar a represa e mirantes distantes.

  • Cachoeira dos Namorados e Cachoeira dos Três Pontos: De fácil acesso, perfeitas para um banho relaxante.

  • Represa do Custódio: Um espelho d'água cercado de verde, ideal para contemplar (não sendo possível banho).

  • Trekking na Serra: Trilhas que levam a vistas panorâmicas de tirar o fôlego.

Igreja Matriz de Lavras Novas, com cores brancas e rosa, com céu azul, sinos e uma cruz
Igreja Matriz de Lavras Novas, com cores brancas e rosa, com céu azul, sinos e uma cruz

Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, com céu azul e nuvens em Lavras Novas/MG - Foto: Igor Souza

O clima romântico é o grande destaque da noite?

Ao anoitecer, a vocação do distrito muda, deixando de ser um polo de aventura para se tornar um dos destinos mais românticos e acolhedores do estado. A temperatura cai bruscamente devido à altitude, criando o pretexto perfeito para acender lareiras, abrir vinhos e desfrutar da gastronomia local em bistrôs intimistas.

As pousadas investiram pesado nesse perfil, oferecendo chalés privativos que priorizam o conforto e a imersão na paisagem. Diferente da sede, onde o foco é estar na rua, aqui o objetivo é curtir a hospedagem, dormir ouvindo o vento e aproveitar o sossego absoluto.

Vista da janela matriz de Lavras Novas, com casas e carros no centrino do distrito, céu nublado
Vista da janela matriz de Lavras Novas, com casas e carros no centrino do distrito, céu nublado

Vista da janela matriz de Lavras Novas, com casas e carros no centrino do distrito/MG - Foto: Igor Souza

A estratégia inteligente para dividir seu roteiro

Tentar fazer um "bate e volta" no mesmo dia é possível, mas cansativo e pouco proveitoso, pois você perderá o charme da noite serrana. A estratégia inteligente é setorizar a viagem, dedicando a manhã para a cultura e a tarde para a natureza, otimizando seu tempo e energia.

Dessa forma, você absorve a história de Ouro Preto enquanto está disposto e relaxa em Lavras Novas quando precisa descansar. Siga esta sugestão de cronograma para aproveitar o melhor dos dois mundos sem correria:

  • Sábado Manhã (Ouro Preto): Visite as minas, museus e igrejas principais.

  • Sábado Tarde (Lavras Novas): Suba para o check-in, passeio 4x4 e pôr do sol.

  • Domingo (Lavras Novas): Manhã livre na cachoeira e almoço tardio antes de descer.

Casas coloridas de cores lilás, amarelas e janelas com tons fortes, em Lavras Novas Minas Gerais
Casas coloridas de cores lilás, amarelas e janelas com tons fortes, em Lavras Novas Minas Gerais

Casas coloridas de cores fortes em Lavras Novas Minas Gerais - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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