O refúgio pacato na serra para quem quer fugir do caos no dia 21
Quer fugir da rodovia lotada no dia 21? Esse vilarejo na serra mineira junta cachoeira gelada e comida farta num bate e volta rápido e muito barato
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
10/04/2026
Se você está caçando um lugar no meio do mato para fugir da bagunça no feriado do dia 21, Acuruí MG é a resposta exata. Esse distrito de Itabirito fica perto da capital, mas mantém um clima pacato e totalmente isolado. É o roteiro certo para colocar o pé na água gelada e ver mato sem esbarrar numa multidão.
Por que esse distrito é a melhor saída para o feriado?
A maioria das pessoas vai para os municípios famosos e acaba perdendo muito tempo presa no trânsito das rodovias principais. O distrito escapa dessa lógica porque ainda não entrou no radar do turismo pesado, garantindo uma viagem rápida e sem dor de cabeça no meio do caminho.
A praça central mostra bem esse ritmo devagar, com os moradores sentados nas calçadas conversando sem pressa nenhuma no fim da tarde. Se a intenção é descansar a cabeça e ver construções antigas sem muvuca em volta, preste atenção nestes pontos para a sua viagem:
Trânsito leve nas rodovias de acesso até chegar no centrinho.
Ausência total de filas nos restaurantes e lanchonetes da região.
Ruas de terra que obrigam o motorista a reduzir bem a velocidade.
O centro histórico conserva o visual bruto da época do ouro
Caminhar pelo centro é como dar um passo direto para trás no tempo, já que os casarões e os muros de pedra continuam de pé do mesmo jeito. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição domina a paisagem urbana e serve de referência para quem chega de carro e quer estacionar.
Logo ali perto, você esbarra na Capela de Nossa Senhora do Rosário de Acuruí, que foi construída no século dezoito e guarda muita história local. O passeio por essas vias é bem rápido, mas rende fotos legais e ajuda a observar alguns detalhes reais daquela época:
Paredes de pedra muito grossas que dividiam os quintais antigos.
Igrejas que mantêm a pintura limpa e o traço original de antigamente.
Vias de calçamento irregular que exigem um tênis muito confortável.
Casas simples que mantêm as janelas de madeira abertas para a rua.
Onde encontrar água gelada para aliviar o calor pesado?
Se a temperatura subir demais durante a caminhada, a Cachoeira do Cascalho é a solução eficiente da área para abaixar o suor das costas. O pessoal local chama a área de Três Quedas, e o acesso é tranquilo para passar a tarde sem precisar fazer grandes esforços físicos pelo mato adentro.
A queda principal lembra bastante o formato de um véu de noiva e deságua num poço bem frio, formando uma prainha cheia de pedras na beira da água. O espaço é totalmente aberto e não cobra taxa de entrada na catraca, sendo a melhor alternativa para dar um mergulho rápido e secar no sol quente.


Rua de Acuruí com catos altos à beira da via e igreja branca barroca ao fundo - Foto: Igor Souza


Queda d'água da Cachoeira de Carrancas, com paredão de pedras e água cristalina - Foto: Igor Souza
Qual a ligação da represa com a energia da nossa capital?
A Represa de Rio das Pedras, que a população também chama de Represa de Acuruí, não serve apenas para deixar o cenário rural mais verde. No começo do século vinte, ela teve um papel forte ajudando a fornecer energia elétrica pesada para Belo Horizonte logo quando a capital mudou de sede.
Hoje, essa mesma estrutura mudou de função e atrai o pessoal que tem barco ou gosta de passar o domingo praticando esportes na água. A paisagem ao redor garante um espaço enorme para encostar o carro na margem e aproveitar os seguintes benefícios na prática:
Prática de remo e esportes de prancha rolando durante o dia todo.
Áreas vazias na margem de terra para abrir a cadeira de praia e deitar.
Visão limpa da serra sem postes ou fiação elétrica cortando o céu.
Espaço gigante para deixar o cachorro correr solto longe do asfalto.
Ponto seguro para molhar os pés sem encarar uma correnteza bruta.
As margens do Rio das Velhas rendem uma parada direta
O trajeto que corta o Rio das Velhas na região da Ponte Ana de Sá entrega uma visão forte e muito isolada para quem gosta de rodar de carro sem rumo certo. A água bate nas pedras criando um cenário que mistura a força do rio cheio com os restos da estrutura velha que fazia a travessia.
A parada ali não exige muito tempo do relógio, mas serve perfeitamente para esticar as pernas e observar a correnteza cortando o fundo do terreno de terra. Como não existe comércio montado na beira da estrada de acesso, o passeio é muito cru, entregando o mato verde e fechado sem nenhuma interferência de vendedor.
+ Leia também: Nem Tiradentes, nem Diamantina: o vilarejo em MG que é o novo refúgio de paz dos turistas
Vale a pena fazer um bate e volta de carro no feriado?
Como o local fica muito perto de Belo Horizonte e o acesso principal não tem complicação na pista, rodar ida e volta no mesmo dia é a melhor saída para o motorista. O roteiro é enxuto, então você não precisa acordar de madrugada e consegue almoçar comida caipira de verdade pagando muito pouco.
Se a vontade for apenas ligar o carro no dia 21 para quebrar a rotina cansativa, a área junta construções antigas, água fria e o visual enorme da represa. Para não passar nenhum perrengue bobo no meio do caminho, lembre de organizar estes passos básicos antes de pegar a rodovia:
Encher o tanque antes, pois falta posto de combustível nas ruas de terra.
Levar notas trocadas para facilitar o pagamento no boteco do distrito.
Colocar um fardo de água no porta-malas para usar após sair do mato.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


