O segredo escondido de Minas Gerais: esta cidade histórica a 20 minutos de BH vai te surpreender

Esqueça as viagens longas e cansativas. Essa cidade grudada na capital mineira entrega muita história, ladeiras e comida boa a poucos minutos de casa

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
09/04/2026

Sabe quando bate aquela vontade de bater perna num lugar com muita história, mas você não tem paciência para pegar horas de estrada? Sabará é a resposta prática que fica a apenas vinte minutos da capital mineira, entregando construções da época da mineração e comida boa. É só pegar o carro e aproveitar um roteiro turístico sem o cansaço de uma viagem longa.

Por que o bairro Pompéu é a rota certa para forrar o estômago?

Esse vilarejo fica no fundo de um vale, bem nas margens da Estrada Real, e é o ponto de encontro de quem quer comer muito bem. O clima por lá é tranquilo e a vegetação fechada esconde várias trilhas de terra que o pessoal usa para caminhar, andar de bicicleta e cavalgar nos fins de semana.

O que atrai gente de todo canto é a culinária focada no ora-pro-nóbis, uma folha verde que virou a marca registrada do lugar desde os anos noventa. Nos restaurantes do bairro, a refeição é farta e você encontra combinações boas para encher a barriga sem gastar muito com frescuras:

  • Costelinha de porco mergulhada no caldo grosso da folha.

  • Frango caipira com pedaços grandes feito na panela de ferro.

  • Carne de marreco ensopada servida com arroz fresco.

As capelas antigas mostram a realidade nua e crua do passado

Quando você anda pelos bairros mais pacatos, encontra capelas que escancaram como o interior funcionava. A Capela de Sant'Ana, lá no Arraial Velho, foi erguida na época em que Borba Gato ainda comandava o garimpo no rio das Velhas, mantendo o altar revestido em pedra de canga.

Já a Capela de Nossa Senhora do Ó engana muito quem olha apenas pelo lado de fora. A fachada é bem simples, mas o interior é totalmente coberto por talhas da primeira fase do período da extração, com forte influência chinesa na decoração. O visual impressiona com os seguintes detalhes reais:

  • Decoração rica preservada no estilo Nacional Português.

  • O culto celebrado ao som das antífonas que deram origem ao nome da igreja.

  • Imagens e painéis originais que não passaram por grandes mudanças.

  • Estrutura preservada que atrai interessados em arquitetura do país inteiro.

Capela de Nossa Senhora do Ó em Sabará, com fachada branca, detalhes em vermelho
Capela de Nossa Senhora do Ó em Sabará, com fachada branca, detalhes em vermelho

Capela de Nossa Senhora do Ó em Sabará, com fachada branca, detalhes em vermelho - Foto: Igor Souza

Como funciona o segundo teatro mais velho do Brasil?

A antiga Rua Direita, que hoje se chama Dom Pedro II, mantém o cenário de antigamente de pé e concentra vários casarões importantes na área central. O grande destaque dessa via é a Casa da Ópera, o Teatro Municipal, que continua aberto e funcionando normalmente para a população.

O formato interno do prédio lembra muito os teatros ingleses de madeira, o que garante uma acústica limpa para quem assiste aos eventos. O espaço já recebeu visita de dois imperadores no passado e mantém a mesma configuração que chama a atenção de quem paga o ingresso na porta:

  • Camarotes divididos de forma inteligente em três galerias fechadas.

  • Acústica forte que não exige o uso de caixas de som pesadas.

  • Cadeiras que continuam sendo usadas para as apresentações culturais da cidade.

Chafariz azul e branco em Sabará, diante de muro de pedra, bicicleta vermelha e casas ao fundo
Chafariz azul e branco em Sabará, diante de muro de pedra, bicicleta vermelha e casas ao fundo

Chafariz azul e branco em Sabará, diante de muro de pedra, bicicleta vermelha e casas ao fundo - Foto: Igor Souza

Onde o governo derretia o minério e cobrava os impostos?

Ninguém escapava da cobrança do rei na época, e o Museu do Ouro é a prova física de como o governo controlava o dinheiro do povo. O casarão abrigava a Casa de Intendência, o exato local onde a fiscalização derretia as pedras brutas, transformava em barras e batia o selo oficial antes de circular.

O andar térreo ainda tem o piso calçado com pedras redondas e guarda ferramentas velhas ligadas ao processo de fundição. A visita dá um choque de realidade sobre o trabalho no garimpo e te deixa cara a cara com móveis autênticos e equipamentos usados para barrar o contrabando nas rodovias de terra.

O chafariz de pedra que abastece a rua principal desde sempre

Parar no Chafariz do Kaquende é obrigatório para quem está cansado de andar nas ladeiras debaixo do sol quente e precisa molhar o rosto. A água cristalina desce direto das nascentes do morro e abastece a comunidade sem cobrar nenhum centavo desde o ano de mil setecentos e cinquenta e sete.

Reza a lenda dos moradores que todo mundo que bebe dessa água acaba voltando para visitar as ruas de Sabará mais vezes. A construção fica encostada na via, é feita de pedra maciça e mantém marcas fortes da história que você pode conferir de perto assim que parar o carro:

  • Calhas por onde a água limpa escorre sem interrupção o dia inteiro.

  • Marcas na parede de onde as armas de Portugal foram arrancadas.

  • Uso contínuo pela vizinhança que mora nas casas encostadas na bica.

+ Leia também: Pequena cidade surpreende ao abrigar a nascente de um dos rios mais importantes do país

O que as muralhas de pedra sem teto revelam no centro?

Andando mais um pouco, você dá de cara com uma construção de pedra gigante que não tem teto e nem reboco na fachada. Trata-se da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, uma obra iniciada pela irmandade dos escravos que queriam ter um espaço próprio, mas que nunca conseguiu ser finalizada.

Quando a escravidão foi abolida, o trabalho no canteiro parou e as muralhas altas ficaram expostas, servindo hoje como registro real dos métodos de construção da época. O detalhe curioso é que essas paredes protegem uma capelinha de taipa de mil setecentos e treze, além de abrigar um museu de arte sacra na sacristia que sobrou inteira.

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará, com fachada de pedra
Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará, com fachada de pedra

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará, com fachada de pedra - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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