Ouro Preto é linda, mas essa cidade vizinha de BH também tem seu brilho
Descubra o charme colonial, a fé preservada e os sabores típicos de Sabará, cidade vizinha de BH que encanta com sua autenticidade e história viva
Enquanto os olhares se voltam para Ouro Preto e Mariana, existe uma cidade logo ao lado de Belo Horizonte que preserva, sem alarde, um dos conjuntos coloniais bem preservados de Minas Gerais: Sabará. Formada no período do ciclo do ouro, ela carrega séculos de história viva em suas igrejas, ruas e tradições.
Por que Sabará continua tão genuína? Porque nunca tentou competir com ninguém. A cidade segue seu próprio ritmo, fiel às raízes religiosas, culturais e afetivas de seu povo. Visitar Sabará é como abrir uma caixa de memórias — e descobrir que a história ainda pulsa em cada esquina.
Conjunto de igrejas barrocas originais e bem preservadas.
Festas religiosas tradicionais que mobilizam a comunidade.
Gastronomia típica com ora-pro-nóbis e quitandas.
Quais igrejas tornam Sabará única?
Sabará guarda verdadeiros tesouros da arquitetura colonial mineira. Um dos destaques é a Igreja de Nossa Senhora do Ó, pequena por fora, mas surpreendente por dentro. Seu interior em estilo rococó exibe talhas delicadas, com detalhes dourados que brilham sob a luz filtrada pelas janelas.
Outro símbolo poderoso é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, ou melhor, suas ruínas. Construída por pessoas escravizadas e nunca finalizada, ela permanece no centro da cidade como testemunho da fé e da resistência do povo negro. Em vez de ser esquecida, virou monumento.
Caminhar por Sabará é como voltar no tempo?
Sim. As ruas de pedra irregular, os casarões com janelas coloridas e as sacadas em ferro forjado contam, sem palavras, os capítulos de um Brasil que moldou a identidade mineira. Cada curva, cada muro torto e cada ladeira parece manter viva uma lembrança.
Entre os locais mais significativos está o Museu do Ouro, instalado na antiga Casa da Intendência. Lá, o visitante encontra objetos do ciclo do ouro, peças sacras, documentos históricos e utensílios do cotidiano colonial — tudo contextualizado com sensibilidade e clareza.
As tradições populares ainda têm força por lá?
O que mantém Sabará viva não são apenas as construções, mas as tradições. A cidade celebra com orgulho manifestações como o Jubileu de Nossa Senhora do Rosário, a Festa do Divino e a Semana Santa, que mobilizam moradores e visitantes.
Essas festas reúnem irmandades religiosas, grupos de congado, bandas locais e fiéis de todas as idades. Os cortejos percorrem as ruas do centro e dos bairros, conectando passado e presente com música, fé e emoção.
Destaques do calendário religioso-cultural:
Jubileu do Rosário: tradição afro-brasileira com forte presença do congado.
Festa do Divino: cores, bandeiras e religiosidade popular nas ruas.
Semana Santa: procissões e encenações com grande participação comunitária.
O que torna a gastronomia de Sabará tão especial?
Você já provou um frango com ora-pro-nóbis no interior de Minas? Em Sabará, essa planta rica em ferro e cultivada nos quintais é símbolo de identidade local. Tanto que Sabará realiza o Festival do Ora-pro-nóbis, que reúne receitas, histórias e degustações.
Mas a culinária não para por aí. Sabará é famosa pelas quitandas, incluindo os tradicionais pastéis de angu, broas, bolinhos de feijão, biscoitos de polvilho e doces caseiros.
Comer em Sabará é também saborear memória?
Sim. Cada receita traz consigo a marca de quem a preparou pela primeira vez. São saberes que passaram de mãe para filha, de avó para neta. Comer em Sabará é mais do que satisfazer o paladar — é participar de uma história feita à mão, com afeto e ingredientes do quintal.
Em meio a tantas opções, o difícil é escolher apenas um sabor. Ainda bem que o visitante pode experimentar aos poucos, com tempo, sem pressa — como deve ser toda boa refeição mineira.
O que há além das igrejas e festas?
Sabará também guarda pequenos tesouros a céu aberto. Um dos mais simbólicos é o Chafariz do Kaquende, que segue jorrando água desde o século XVIII, considerada potável pela tradição local. Segundo a lenda, quem bebe da água sempre volta à cidade — e não são poucos os que confirmam essa profecia.
Além disso, há mirantes com vista para o casario antigo, trilhas curtas em meio à vegetação nativa e praças tranquilas, onde o tempo parece desacelerar. A cidade convida o visitante a fazer pausas, observar os detalhes, sentir o cheiro do barro molhado e ouvir os sinos tocando.
Outros atrativos que merecem atenção:
Rua Dom Pedro II: com casarões coloniais preservados e lojas de artesanato.
Teatro Municipal: um dos mais antigos de Minas ainda em funcionamento.
Igreja de São Francisco de Assis: localizada em ponto alto, com vista privilegiada.
Como chegar e aproveitar Sabará com calma?
Localizada a apenas 25 km de Belo Horizonte, Sabará pode ser visitada em bate-voltas ou em fins de semana prolongados. O acesso é fácil, tanto de carro quanto de ônibus, e a cidade oferece pousadas e hospedagens simples próximas ao centro histórico.
O ideal é andar a pé, conversar com os moradores, visitar os templos com tempo, aproveitar as lojinhas de doces e artesanato e, acima de tudo, deixar-se levar pela atmosfera única que a cidade oferece.
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Por que Sabará toca tanto quem a visita?
Sabará não impressiona pelo excesso — impressiona pela alma. Sua beleza está no que resiste: nas pedras, nas pessoas, nos rituais. Ela não foi feita para ser fotografada às pressas, mas para ser vivida com o coração aberto.
E é por isso que tanta gente volta. Porque há algo em Sabará que parece sussurrar: “fique mais um pouco, tem mais pra ver, tem mais pra sentir”.
Sobre o autor:
Igor Souza é criador do Olhares por Minas, fotógrafo e especialista em turismo mineiro. Viaja por cidades históricas, cachoeiras e vilarejos, buscando contar as histórias que Minas tem a oferecer. Saiba mais sobre o autor clicando aqui.


Sabará/MG - Foto: Igor Souza