Pertinho da capital, este lugar é um convite à gastronomia e à tranquilidade do interior

Conheça uma cidade vizinha à capital que guarda segredos do ouro e igrejas com decorações únicas. O destino certo para um domingo de calmaria e boa comida

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
11/05/2026

Cruzar os limites de Belo Horizonte e entrar em uma cidade que parou no tempo é um alívio para quem vive na correria do asfalto. Sabará oferece o silêncio das calçadas de pedra e o cheiro de comida feita no fogão a lenha, sendo o destino ideal para um passeio de bate e volta com a família.

O que faz da Capela de Nossa Senhora do Ó um local tão visitado?

A fachada simples esconde um dos interiores mais trabalhados da arte mineira do século dezoito. É comum ver os visitantes surpresos ao entrar e perceber que a riqueza visual não depende de um tamanho monumental, mas sim da qualidade das pinturas e das cores vivas.

O local mostra uma forte influência do contato comercial com o oriente, visível nos desenhos que lembram a arte chinesa nos altares. Essa mistura de estilos torna o espaço único no estado e prova que a cultura circulava de forma intensa pelas vilas mineradoras da época colonial.

Por que a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos é diferente?

Ao contrário das grandes catedrais finalizadas, esta construção chama a atenção justamente por estar inacabada. As paredes de pedra expostas e a ausência de telhado em certas partes criam um cenário que parece ter congelado no momento exato em que os operários pararam o trabalho manual.

O local carrega um peso histórico enorme, pois foi levantado pela força da irmandade dos homens pretos da época. Hoje, quem caminha por dentro da estrutura encontra um museu focado em peças sacras que explicam a devoção daquele tempo em diversos detalhes:

  • Imagens religiosas esculpidas em madeira maciça;

  • Objetos usados em ritos da igreja antiga;

  • Pinturas recuperadas de outras construções locais.

Capela de Nossa Senhora do Ó em Sabará MG com torre sineira, casario ao redor e céu azul
Capela de Nossa Senhora do Ó em Sabará MG com torre sineira, casario ao redor e céu azul

Capela de Nossa Senhora do Ó em Sabará MG com torre sineira, casario ao redor e céu azul - Foto: Igor Souza

O centro histórico revela a força do ouro e da arquitetura civil

Caminhar pela antiga Rua Direita, hoje chamada de Dom Pedro II, é como ler um livro sobre o desenvolvimento urbano de Minas Gerais. O conjunto de casas protegidas mantém as cores e as formas originais, permitindo que a luz do sol valorize as sacadas de ferro e as portas largas.

Entre os sobrados de destaque está o Solar do Padre Correia, um casarão de grandes proporções que servia como moradia de prestígio. O prédio mostra como o luxo era exibido através de janelas altas e madeira pesada trabalhada com cuidado pelos carpinteiros do passado:

  • Sobrados pintados com cores claras e molduras escuras;

  • Calçamento de pedras irregulares que exige sapatos baixos;

  • Placas que contam a história de cada edifício importante;

  • Ambientes amplos usados hoje para o serviço público municipal.

Vale a pena conhecer o segundo teatro mais antigo do Brasil?

A Casa da Ópera é um prédio discreto por fora, mas com uma engenharia interna que lembra os teatros britânicos antigos. O interior tem uma disposição em ferradura, feita para que o som chegasse com clareza em todos os níveis dos camarotes de madeira sem esforço.

O local continua funcionando e recebe apresentações musicais e peças de teatro, mantendo a vida cultural da cidade ativa fora dos museus. É uma oportunidade rara de entrar em um edifício histórico e perceber que ele ainda cumpre a mesma função para a qual foi criado.

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará MG com fachada de pedra
Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará MG com fachada de pedra

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Sabará MG com fachada de pedra - Foto: Igor Souza

Como o Chafariz do Kaquende mantém as lendas locais vivas?

Localizado em uma área de descida, este chafariz de meados do século dezoito ainda joga água fresca para quem passa pela rua. Os moradores contam que quem bebe dessa fonte cria um laço eterno com a região, garantindo que o visitante retorne muitas vezes no futuro.

Além da lenda, o monumento é um exemplo de como o fornecimento de água era organizado antes das redes modernas chegarem às casas. O sistema de pedras e as bicas de metal mostram a inteligência da engenharia daquele tempo para aproveitar as nascentes naturais:

  • Água que desce diretamente das montanhas vizinhas;

  • Estrutura de pedra resistente ao tempo e ao uso diário.

O passado minerador ainda pode ser sentido nos museus da região?

A história da extração do metal precioso está guardada no Museu do Ouro, instalado na antiga casa onde o metal era fundido e carimbado. O acervo explica desde o processo de retirada do leito dos rios até a transformação em barras para o comércio internacional.

Mesmo quando o prédio principal passa por reformas para manutenção, a importância do local como centro de controle financeiro permanece clara. Visitar o entorno ajuda a entender como a fiscalização era rígida e como a riqueza moldava as cidades ao redor de Belo Horizonte:

  • Balanças antigas usadas para pesar o ouro bruto;

  • Ferramentas pesadas de fundição e moldagem do metal;

  • Documentos que registram a saída das riquezas mineiras;

  • Maquetes que mostram o funcionamento das antigas minas.

+ Leia também: Pequena cidade surpreende ao abrigar a nascente de um dos rios mais importantes do país

A culinária e as rendas manuais são a alma deste passeio.

Sentar em um dos restaurantes do centro para provar o ora-pro-nóbis acompanhado de frango caipira é uma regra para quem faz o passeio. A gastronomia local preserva o sabor do quintal, com pratos servidos em panelas de barro que mantêm a comida quente por mais tempo.

Antes de voltar para casa, observar o trabalho das rendeiras é uma forma de valorizar o talento que passa de mãe para filha. A renda turca e a palma barroca são tradições que transformam fios simples em peças complexas, ideais para levar como uma lembrança:

  • Tecidos trabalhados com agulhas finas e muita paciência;

  • Doces de frutas locais vendidos em potes de vidro tradicionais;

  • Artesanato que utiliza fibras naturais da vegetação da serra;

  • Peças decorativas inspiradas nos detalhes das igrejas barrocas.

Casarões históricos com portas azuis, sacadas de ferro e rua de pedra em Sabará MG
Casarões históricos com portas azuis, sacadas de ferro e rua de pedra em Sabará MG

Casarões históricos com portas azuis, sacadas de ferro e rua de pedra em Sabará MG - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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