Por que Bichinho está na lista dos destinos mais autênticos de Minas Gerais?

Descubra o que torna Bichinho, em Prados (MG), um dos vilarejos mais autênticos do estado — arte, cultura, sabores e paisagens inesquecíveis

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
29/08/2025

Cravado entre as montanhas da Serra de São José, o distrito de Bichinho, no município de Prados, Minas Gerais, tem chamado a atenção dos viajantes que buscam experiências verdadeiras, com rostos, cheiros e sabores que não se encontram em roteiros comuns. O que antes era apenas uma vila tranquila de casinhas simples e ruas de terra hoje se revela como um dos lugares mais genuínos do interior mineiro — sem deixar de ser fiel às suas origens.

Distante cerca de 200 km de Belo Horizonte e a aproximadamente 7 km de Tiradentes, Bichinho mantém um estilo de vida sereno, mas ao mesmo tempo pulsante de criatividade e tradição. Não à toa, o distrito é lembrado como exemplo de turismo artesanal, criativo e acolhedor.

  • Distrito com forte identidade cultural e artesanal.

  • Ponto de referência em turismo consciente e acolhedor.

  • Vizinho de Tiradentes, mas com personalidade própria.

Qual é a origem do nome "Bichinho"?

Antes de ser chamado carinhosamente de Bichinho, o distrito era conhecido oficialmente como Vitoriano Veloso, nome que ainda aparece em placas e documentos. A origem do apelido não é consenso, mas moradores mais antigos atribuem a histórias locais e hábitos populares, mantidos de geração em geração.

Apesar da proximidade com cidades turísticas conhecidas, como São João del Rei e Tiradentes, Bichinho tem personalidade própria. É um lugar onde o tempo desacelera e a simplicidade é celebrada — seja em um café coado na hora, numa prosa na calçada ou no cheiro da lenha queimando no fogão.

Por que Bichinho encanta quem ama arte?

O que mais chama a atenção ao chegar em Bichinho é a quantidade e variedade de ateliês, lojinhas e oficinas espalhadas ao longo da estrada e nas ruas centrais. O distrito virou referência em artesanato mineiro, com destaque para:

  • Móveis rústicos feitos manualmente.

  • Arte em ferro, cerâmica, escultura e pintura.

  • Peças exclusivas vendidas por artesãos locais. 

Boa parte dessa vocação artística nasceu do movimento espontâneo de artistas e artesãos que se mudaram para o local em busca de inspiração. Entre os espaços mais visitados está o Ofício das Artes, um ponto coletivo que reúne peças produzidas na região, além de ateliês onde é possível ver a produção ao vivo — e conversar diretamente com os criadores.

Quais tradições religiosas são mantidas no distrito?

Bichinho não é só arte: é também história e religiosidade. Um dos marcos mais significativos do vilarejo é a Capela de Nossa Senhora da Penha, localizada em um ponto elevado, com vista panorâmica das montanhas. A construção em estilo barroco, de origem colonial, ainda é utilizada em celebrações religiosas locais.

Além da capela, o distrito mantém vivas manifestações como:

  • Festas juninas e julinas com quadrilhas e forró.

  • Celebrações católicas organizadas pela comunidade.

  • Almoços comunitários em datas religiosas.

Esses eventos simples reforçam o senso de pertencimento e acolhimento que define o lugar.

Onde comer em Bichinho?

A cozinha de Bichinho é outro ponto forte do seu encanto. Pequenos restaurantes familiares oferecem comida típica mineira, servida em ambientes rústicos e acolhedores. Muitos mantêm o uso do fogão a lenha e resgatam receitas de família, como frango com quiabo, costelinha na lata, feijão tropeiro e doce de leite caseiro.

Um dos lugares mais conhecidos é o restaurante Tempero da Ângela, onde a experiência vai muito além da comida: é sobre sentir-se em casa. É comum ver os próprios donos servindo os pratos ou contando histórias do vilarejo para os visitantes.

Quais paisagens esperam quem visita a região?

Quem se aventura pelas estradas de terra que ligam Bichinho a Prados ou a Tiradentes encontra, ao longo do caminho, vistas deslumbrantes da Serra de São José, pequenos cursos d’água e trilhas que convidam à contemplação. A região é rica em:

  • Biodiversidade e áreas de mata preservada.

  • Campos e formações rochosas típicas.

  • Mirantes naturais ao longo das estradas.

A prática de caminhadas, ciclismo e observação da natureza vem crescendo entre os turistas que buscam roteiros mais tranquilos.

Como o turismo se desenvolve sem perder a essência?

Um dos diferenciais de Bichinho é que o crescimento turístico não comprometeu sua essência. Muitos empreendimentos são familiares e valorizam:

  • Uso de insumos locais e reaproveitamento de materiais.

  • Arquitetura integrada ao paisagismo.

  • Contratação de moradores do próprio distrito.

Essa relação equilibrada entre turismo e comunidade torna a experiência mais autêutica e acolhedora.

Por que Bichinho não é apenas um apêndice de Tiradentes?

Estar a poucos minutos de um dos destinos mais famosos de Minas Gerais não diminui Bichinho. Pelo contrário: o distrito se consolidou como uma opção complementar e mais tranquila.

Enquanto Tiradentes tem eventos sofisticados e restaurantes renomados, Bichinho se destaca pela simplicidade:

  • Ladeiras de terra e casarios antigos.

  • Silêncio das manhãs e tardes preguiçosas.

  • Conversas com artesãos e moradores.

É essa atmosfera que conquista os viajantes mais atentos.

Como chegar e quando visitar?

O acesso mais comum é via Tiradentes, por uma estrada de terra bem conservada. Também é possível chegar por Prados, a cerca de 13 km. Em ambos os caminhos, o trajeto é um convite à contemplação.

O distrito pode ser visitado o ano todo, mas outono e inverno são mais procurados por causa do clima ameno. Feriados costumam atrair mais visitantes, mas o lugar não perde seu ritmo tranquilo.

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Um convite a quem busca sentido na viagem

O que faz de Bichinho, distrito de Prados (MG), um dos destinos mais autênticos de Minas Gerais não é apenas sua beleza ou seu artesanato — é a forma como tudo ali se conecta com a alma do viajante. Em cada pedaço de madeira esculpido à mão, em cada prato servido com afeto, em cada ladeira de terra batida, há uma história viva sendo contada.

Quem visita Bichinho leva mais do que fotos: leva a memória de um lugar onde a simplicidade é luxo, onde o tempo é generoso e onde a mineiridade pulsa em cada detalhe. E é justamente por isso que ele é lembrado entre os destinos mais autênticos do estado.

Sobre o autor:

Igor Souza é criador do Olhares por Minas, fotógrafo e especialista em turismo mineiro. Viaja por cidades históricas, cachoeiras e vilarejos, buscando contar as histórias que Minas tem a oferecer. Saiba mais sobre o autor clicando aqui.

Letreiro no centro histórico e turistico de Bichinho, Minas Gerais
Letreiro no centro histórico e turistico de Bichinho, Minas Gerais

Bichinho/MG - Foto: Igor Souza

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