Um destino no interior mineiro que está conquistando o Brasil
Descubra Bichinho, distrito de Prados em Minas Gerais: artesanato, café, cenas rústicas e charme interiorano. Planeje sua visita com inspiração e autenticidade
Há lugares que não precisam de muito para cativar. Em Bichinho, distrito de Prados em Minas Gerais, o tempo parece seguir outro ritmo. O visitante se depara com ateliês coloridos, cafés aconchegantes, casarões restaurados e moradores que ainda cumprimentam na rua. O que era um vilarejo simples, hoje é um dos destinos mais charmosos do interior mineiro — e ainda conserva a autenticidade de quem não se apressa.
• Ateliês e espaços criativos espalhados por ruas de pedra.
• Igreja colonial e patrimônio artístico preservado.
• Culinária típica, hospitalidade e paisagens rurais encantadoras.
A história por trás de Bichinho e de seu nome curioso
O distrito tem nome oficial de Vitoriano Veloso, em homenagem ao inconfidente negro que lutou pela liberdade na época colonial. Mas o apelido “Bichinho” acabou vencendo no cotidiano e nas placas de estrada. A explicação mais aceita vem da pequena imagem de um “bichinho” aos pés da santa que decora o altar da Igreja de Nossa Senhora da Penha. Para os moradores, esse nome traduz bem o espírito do lugar: simples, acolhedor e cheio de afeto.
Fundado no século XVIII, Bichinho nasceu como ponto de apoio dos mineradores que cruzavam a Estrada Real. Durante muito tempo viveu em silêncio, esquecido nas montanhas entre Tiradentes e Prados. Só nos anos 1990 o vilarejo começou a mudar, quando artistas e artesãos descobriram suas ruas e decidiram transformá-lo em um polo criativo, sem perder sua essência rural.
Por que Bichinho está se tornando um dos destinos mais visitados de Minas?
O sucesso de Bichinho não é fruto de uma transformação planejada, mas de um crescimento orgânico, movido pela criatividade dos próprios moradores. Artesãos, ceramistas, marceneiros e artistas plásticos abriram suas oficinas em antigos casarões, e o distrito se tornou referência em arte popular e decoração sustentável.
A poucos quilômetros de Tiradentes, Bichinho oferece um contraponto perfeito à sofisticação turística da vizinha. Aqui, o visitante encontra o mesmo charme histórico, mas com uma simplicidade encantadora. É o tipo de destino que atrai quem busca experiências autênticas — observar um artesão esculpindo, tomar café com bolo caseiro e ouvir histórias antigas enquanto o sol se põe sobre as montanhas.
O que há para ver e sentir nas ruas do distrito?
Caminhar por Bichinho é como passear dentro de uma galeria a céu aberto. Em cada esquina, há uma surpresa: uma escultura feita de madeira reciclada, um ateliê com portas abertas, uma parede colorida que se transforma em cenário para fotos. O visitante sente a presença da arte em cada detalhe — não como adorno, mas como parte natural da paisagem.
A Casa Torta, ícone do distrito, é um desses lugares que simbolizam o espírito criativo local. O prédio propositalmente inclinado abriga um espaço interativo com exposições, cafeteria e área infantil. Mais do que atração turística, é um manifesto artístico que traduz a liberdade de criação que move Bichinho.


Bichinho/MG - Foto: Igor Souza
Como a fé e a história se misturam na Igreja de Nossa Senhora da Penha?
Construída entre 1732 e 1771, a Igreja de Nossa Senhora da Penha é o coração histórico do distrito. De fachada simples e interior decorado com entalhes e pinturas em estilo rococó, ela é tombada pelo IPHAN e continua sendo ponto de devoção dos moradores. O toque dos sinos, em horários certos, ainda marca o ritmo das atividades no povoado.
O templo não está sempre aberto, mas é possível pedir a chave a algum morador — tradição antiga e carregada de confiança. A vista do adro da igreja revela um dos cenários mais bonitos da região, com o casario colorido contrastando com o verde das colinas. É um ponto de pausa obrigatória para quem busca entender a alma do lugar.


Casa Torta em Bichinho/MG - Fotos: Igor Souza
Quais experiências culturais tornam Bichinho tão especial?
O turismo em Bichinho é uma imersão cultural. Os ateliês oferecem experiências criativas que aproximam visitante e artista, com oficinas de cerâmica, tear e escultura. Alguns espaços, como a Oficina de Agosto, são verdadeiros ícones da arte mineira contemporânea e já exportam peças para todo o país.
Além disso, há experiências que despertam todos os sentidos: o aroma do café recém-passado, o som do martelo no ferro, a textura da madeira entalhada. Cada encontro é uma troca, e cada detalhe reforça a sensação de que o distrito é feito de gente que transforma o cotidiano em arte.
Onde comer e onde se hospedar em Bichinho?
A gastronomia segue o mesmo tom artesanal do artesanato. Restaurantes familiares e pequenos bistrôs oferecem comida mineira feita no fogão a lenha, com destaque para o Tempero da Ângela, conhecido por seu buffet caseiro e sobremesas tradicionais. Cafés charmosos e alambiques artesanais completam o roteiro, servindo cachaças e licores produzidos ali mesmo.
Em relação à hospedagem, o visitante encontra pequenas pousadas com atmosfera intimista, muitas delas integradas a ateliês e casas antigas restauradas. Algumas oferecem varanda com redes e vista para as serras, perfeitas para quem deseja passar mais de um dia no vilarejo. Quem preferir pode ficar em Tiradentes, apenas 7 km adiante, e fazer o trajeto até Bichinho em minutos.
Como chegar e aproveitar o distrito com calma?
De Tiradentes, o acesso é rápido e bem sinalizado, por estrada que alterna trechos pavimentados e de terra batida. A viagem é curta, mas o visual das montanhas e fazendas torna o trajeto uma atração à parte. De Prados, o caminho também é tranquilo, e há placas indicando o distrito.
Ao chegar, o ideal é deixar o carro estacionado e explorar tudo a pé. A vila é pequena, e o prazer está em descobrir os detalhes devagar. Algumas dicas úteis para aproveitar melhor a experiência:
• Use calçados confortáveis para as subidas de pedra.
• Leve dinheiro em espécie — nem todos os comércios aceitam cartão.
• Reserve tempo para conversar com os artesãos e ouvir suas histórias.
O que torna Bichinho diferente de outros destinos mineiros?
Enquanto muitos destinos turísticos buscam modernidade, Bichinho encontrou força na simplicidade. O distrito cresceu sem perder sua essência, equilibrando turismo e comunidade local. As crianças brincam nas praças, os sinos ainda tocam, e as lojas de arte convivem em harmonia com o cotidiano rural.
Essa autenticidade conquistou o coração dos viajantes. Bichinho representa a ideia de que Minas Gerais continua viva nos gestos, nas tradições e na maneira calma de receber. O que se preserva aqui não é apenas o patrimônio histórico, mas o modo de vida que o sustenta — feito de afeto, arte e respeito pelo tempo.
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Onde a arte encontra o coração de Minas
Visitar Bichinho, distrito de Prados em Minas Gerais, é como voltar a acreditar nas coisas simples. O vilarejo une o passado das tradições mineiras com o presente da criatividade, mostrando que o interior também pode ser sinônimo de inovação e beleza.
Em meio ao cheiro de madeira, barro e café, o visitante descobre que o que mais encanta em Bichinho não é o que se vê, mas o que se sente. É o tipo de lugar que desperta saudade antes mesmo de ir embora — e que continua conquistando o Brasil, um sorriso de cada vez.
Sobre o autor:
Igor Souza é criador do Olhares por Minas, fotógrafo e especialista em turismo mineiro. Viaja por cidades históricas, cachoeiras e vilarejos, buscando contar as histórias que Minas tem a oferecer. Saiba mais sobre o autor clicando aqui.




Igreja de Nossa Senhora da Penha - Fotos: Igor Souza


