Um passeio pelas ruas pacatas e cheias de história deste distrito
Explore o charme do Distrito de Chapada, em Ouro Preto. Um refúgio de paz com arquitetura colonial e natureza preservada. Planeje sua visita e surpreenda-se!
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
26/02/2026
O silêncio das manhãs em Chapada só é interrompido pelo som dos pássaros e pelo sino da igreja, criando uma atmosfera que parece ter parado no tempo. Localizado a poucos quilômetros do centro de Ouro Preto, este pequeno vilarejo preserva a essência das montanhas mineiras, oferecendo uma experiência de desconexão profunda para quem busca fugir da rotina urbana acelerada em 2026.
Por que o distrito de Chapada é considerado um refúgio de paz?
Muitos viajantes buscam o distrito de Ouro Preto para vivenciar o que há de mais autêntico na cultura do interior de Minas Gerais. Diferente do agito turístico da sede, Chapada mantém um ritmo próprio, onde as janelas de madeira das casas coloniais ainda se abrem para ruas de calçamento tranquilo. A hospitalidade local é um dos pilares da experiência, com moradores que preservam tradições centenárias na culinária e no artesanato em pedra-sabão.
Este descanso visual e sonoro é complementado pela topografia privilegiada, que oferece vistas panorâmicas para as serras que circundam a região. É um local onde o tempo não é medido pelo relógio, mas pelo movimento das sombras nas fachadas das construções históricas, permitindo uma imersão cultural que vai além da simples contemplação estética e do turismo convencional.
O que torna este um destino ideal para um bate e volta de BH?
Pela proximidade com a capital mineira, o local se consolidou como uma excelente opção de bate e volta de BH, especialmente para quem deseja natureza sem abrir mão da história. A viagem dura cerca de duas horas e permite que o turista aproveite o dia inteiro explorando trilhas ou simplesmente apreciando a gastronomia local em pequenos estabelecimentos familiares que servem o autêntico café com quitandas.
Para planejar sua imersão, considere estes quatro pilares fundamentais do distrito:
Patrimônio Religioso: A Igreja de Sant’Ana, do século XVIII, é o marco zero da comunidade e guarda traços de um barroco rural que privilegia a simplicidade e a devoção local.
Tradição em Pedra-Sabão: Diferente das grandes feiras de Ouro Preto, em Chapada é possível observar o processo de extração e entalhe manual de peças utilitárias por artesãos locais.
Caminhos da Estrada Real: O distrito integra rotas históricas que conectavam as lavras de ouro, mantendo trechos de trilhas preservadas ideais para o trekking histórico.
Culinária de Quintal: A experiência gastronômica foca em ingredientes colhidos no próprio vilarejo, como o ora-pro-nóbis e o queijo minas frescal produzido em pequenas propriedades.


Casas históricas do periodo colonial em Chapada, distrito histórico de Ouro Preto/MG - Foto: Igor Souza
Este paraíso escondido guarda segredos da era do ouro?
Sim, a região foi fundamental durante o ciclo minerador, servindo como ponto de passagem e apoio para as tropas que transportavam riquezas para o litoral. Embora menor que outros distritos vizinhos, a importância estratégica de Chapada refletia na organização de suas ruas e na produção agrícola que abastecia Vila Rica. Hoje, essa herança é visível na conservação das técnicas construtivas de taipa e pedra encontradas em diversas ruínas e casas remanescentes.
Estudos históricos indicam que o distrito de Chapada manteve uma economia de subsistência resiliente mesmo após o declínio da mineração de larga escala. Essa característica garantiu a preservação de um modo de vida que hoje é valorizado por turistas que buscam sustentabilidade e turismo de base comunitária, longe das aglomerações e do consumo de massa que muitas vezes descaracteriza centros históricos.


Igreja de Santa Ana em Chapada, distrito de Ouro Preto - Fotos: Igor Souza
Natureza e tranquilidade como pilares do turismo local
A topografia do lugar favorece a prática de atividades ao ar livre, desde caminhadas contemplativas até o cicloturismo de aventura. O ar puro e a baixa densidade demográfica transformam a região em um cenário favorável para o bem-estar mental, atraindo pessoas interessadas em retiros de fotografia de natureza. As cores da terra e o verde intenso da vegetação nativa criam contrastes que mudam conforme a luz do dia, oferecendo novos ângulos a cada hora.
Para quem planeja a visita, vale considerar alguns detalhes práticos:
O caminho é pavimentado em sua maior parte, mas trechos finais exigem atenção redobrada.
Por estar em altitude, as noites costumam ser frescas mesmo no verão, exigindo sempre um agasalho leve.
O comércio é limitado e focado em produtos artesanais, ideal para quem aprecia a simplicidade.
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Um convite ao silêncio e à preservação da memória
Visitar o distrito de Chapada não é apenas riscar um item de uma lista de viagens, mas sim permitir-se um exercício de presença. Em um mundo cada vez mais conectado digitalmente, encontrar um lugar onde o sinal de telefone muitas vezes cede espaço ao som do vento nas árvores é um privilégio raro. Este paraíso reside na manutenção do que é essencial: o respeito ao tempo das pessoas e à integridade da paisagem.
Caminhar por essas ruas é, de certa forma, um reencontro com a identidade mineira em seu estado mais puro e menos lapidado. Ao deixar o distrito, o visitante leva consigo não apenas fotografias, mas a percepção de que a história não está apenas nos livros, mas no modo como uma comunidade escolhe preservar seu chão. Que tal permitir que a calma de Chapada guie seus próximos passos? O convite está feito para quem busca o silêncio que as cidades grandes esqueceram de oferecer.


Casa histórica com vegetação na frente/MG - Fotos: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


