Viajar em Minas pode ser mais simples do que parece, e estes destinos provam isso
Igrejas históricas, museus e um passeio de trem tornam esta viagem mais prática do que muita gente imagina. Entenda por que o roteiro funciona tão bem
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
27/04/2026
Tem viagem que complica antes mesmo de começar. Mas Tiradentes e São João del Rei mostram o contrário: centros históricos organizados, atrações conhecidas a curta distância e um passeio ferroviário que liga as duas cidades tornam o roteiro mais fácil de montar e mais prático de aproveitar em um fim de semana ou feriado.
O que faz Tiradentes funcionar tão bem para quem quer resolver a viagem sem esforço?
Em Tiradentes, o roteiro rende porque os pontos mais procurados ajudam a contar a cidade por partes. A Matriz de Santo Antônio fica no ponto mais alto, foi erguida em 1710 e reúne esculturas de Aleijadinho na fachada e na portada. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída em 1708, é a mais antiga da cidade. Já o Museu da Liturgia amplia a visita com um acervo de mais de 420 peças sacras e o reconhecimento de ser o único dedicado ao tema na América Latina.
Para entender por que Tiradentes e São João del Rei entram fácil em qualquer planejamento, basta olhar como os atrativos principais se completam:
Matriz de Santo Antônio, para quem quer começar pelo símbolo religioso mais marcante da cidade.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, importante pela antiguidade e pela ligação com a irmandade negra.
Museu da Liturgia, que amplia o passeio com história, arte sacra e visita organizada.
Esse trio ajuda a montar um dia muito objetivo, sem deslocamentos cansativos nem roteiro confuso. É o tipo de combinação que faz a cidade parecer simples de visitar mesmo para quem tem pouco tempo.
Entre o Largo das Forras e a Serra de São José, a visita ganha ritmo natural
A parte mais prática de Tiradentes aparece quando o visitante percebe que o passeio pode mudar de clima sem perder a lógica. O Largo das Forras é apresentado pelo portal oficial de turismo como ponto central da cidade, cercado pelo movimento das charretes, das pracinhas e do artesanato. A poucos minutos dessa parte mais urbana, a Serra de São José entra como contraponto com trilhas, mirantes e uma travessia de 12 quilômetros em meio à paisagem da região.
Isso significa que o roteiro não fica preso só a igrejas e museus. Dá para começar no centro, sentir o ritmo da cidade e depois partir para uma caminhada com vista mais aberta, sem precisar reinventar a programação. Quando a viagem encontra esse equilíbrio entre praça, patrimônio e natureza, ela costuma render mais e cansar menos.


Rua de pedra em Tiradentes MG com casarões coloniais, palmeiras e montanhas ao fundo - Foto: Igor Souza


Centro histórico de São João del Rei MG com igrejas coloniais, casarões antigos e céu nublado - Foto: Igor Souza
Por que São João del-Rei facilita tanto a programação de quem gosta de história?
São João del-Rei também funciona bem porque concentra atrações muito fortes no próprio tecido urbano. A Igreja de São Francisco de Assis é um dos marcos do barroco local, com projeto ligado a Aleijadinho e talha de grande destaque. A Igreja de Nossa Senhora do Carmo chama atenção pelo início da construção em 1733, pelas torres octogonais e pela portada em pedra-sabão. Já a Igreja do Rosário é tratada como o templo mais antigo da cidade e preserva interior em rococó tardio.
Na prática, esses três pontos ajudam a organizar a leitura da cidade de forma muito clara:
Igreja São Francisco de Assis, para quem quer começar por uma obra central do barroco mineiro.
Igreja Nossa Senhora do Carmo, marcante pela fachada e pelo conjunto arquitetônico.
Igreja do Rosário, importante pela antiguidade e pela história da irmandade negra.
Quando essas visitas entram no mesmo roteiro, São João del-Rei deixa de ser uma parada apressada e passa a ser um destino que se entende melhor a cada igreja visitada. Isso dá mais consistência ao passeio e evita aquela sensação de ter visto tudo pela metade.
+ Leia também: Nem Tiradentes, nem Diamantina: o vilarejo em MG que é o novo refúgio de paz dos turistas
Vale unir memória política e passeio ferroviário no mesmo roteiro?
Vale, porque essa combinação dá variedade sem complicar o deslocamento. O Memorial Tancredo Neves funciona em um casarão do século XVIII no Centro Histórico e reúne acervo documental, fotográfico e audiovisual, além de objetos pessoais, mobiliário, medalhas e condecorações ligados à trajetória do ex-presidente. Já o trem turístico operado pela VLI liga São João del-Rei a Tiradentes, preserva a memória ferroviária e percorre cerca de 12 quilômetros; o guia oficial de turismo local informa duração aproximada de 35 a 45 minutos.
Se a ideia é fechar a viagem com dois programas muito diferentes, mas que conversam bem entre si, estes pontos ajudam a resolver:
Memorial Tancredo Neves, para aprofundar o lado político e histórico da cidade.
Passeio de Maria Fumaça, para transformar o trajeto entre os destinos em parte da experiência.
Essa união faz o roteiro ficar mais completo sem virar uma agenda pesada. No fim, Tiradentes e São João del Rei provam que viajar em Minas pode ser mais simples quando o caminho entre os atrativos já nasce bem resolvido.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


