Descoberta em Minas mostra como o passado ainda respira entre as montanhas
Conheça a Vila do Biribiri, em Diamantina, e veja como a história e a natureza revelam que o passado ainda respira entre as montanhas de Minas
Entre as serras que moldam a paisagem de Diamantina, a Vila do Biribiri guarda um passado do século XIX que ainda se mantém vivo. Criada em torno de uma fábrica de tecidos e preservada até hoje, a comunidade combina história operária, religiosidade e natureza em um só espaço. O visitante encontra ruas de terra, casas brancas e o silêncio da serra, que juntos contam a memória de uma Minas diferente da que se vê nos centros históricos barrocos.
Vila fundada em 1876 para abrigar operários de uma fábrica têxtil.
Preservação do conjunto arquitetônico e da Capela do Sagrado Coração de Jesus.
Parque Estadual do Biribiri com trilhas e cachoeiras como Sentinela e Cristais.
Como surgiu a Vila do Biribiri?
A Vila do Biribiri nasceu em 1876, fruto da iniciativa do bispo de Diamantina, Dom João Antônio dos Santos, junto de Joaquim e Antônio Felício dos Santos, que instalaram uma fábrica de tecidos no local. O objetivo era oferecer trabalho e sustento em um período em que a mineração já não sustentava a economia regional.
Para receber os operários, ergueu-se um conjunto de casas simples, alinhadas em ruas de terra batida, formando o núcleo que se tornaria a vila. Essa estrutura ainda hoje pode ser vista, preservada como parte do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Biribiri, tombado pelo IEPHA/MG em 1998.
A fábrica de tecidos ainda existe?
A fábrica encerrou suas atividades na década de 1970, mas o prédio permanece de pé. As paredes de pedra e os galpões preservam a memória de uma época em que centenas de trabalhadores e suas famílias dependiam diretamente da produção têxtil.
Símbolo de industrialização em área serrana.
Estrutura ainda visível na paisagem da vila.
Ponto de interesse histórico para visitantes.
Hoje, a fábrica desativada é parte essencial do conjunto arquitetônico e reforça a importância de Biribiri como registro vivo do passado mineiro.
Qual é a importância da Capela do Sagrado Coração de Jesus?
A religiosidade marcou a vida comunitária de Biribiri. A Capela do Sagrado Coração de Jesus foi erguida para atender à população operária e até hoje é o único templo da vila. Simples em arquitetura, a capela reúne elementos típicos do período e permanece como espaço de devoção, além de referência visual para quem chega ao vilarejo.
Para os visitantes, a capela é oportunidade de compreender como fé e cotidiano estavam entrelaçados na vida de uma vila operária.
Como a arquitetura mantém o passado?
As casas de taipa, adobe e alvenaria, pintadas de branco e com janelas coloridas, estão alinhadas nas ruas de terra e compõem um cenário típico do século XIX.
Algumas delas ainda são ocupadas por moradores, outras se transformaram em restaurantes familiares, e parte permanece fechada. Essa diversidade de usos mostra como a vila conseguiu manter sua essência histórica sem deixar de acolher visitantes.
O que há no Parque Estadual do Biribiri?
Criado em 1998 e administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG), o Parque Estadual do Biribiri protege mais de 20 mil hectares de campos rupestres, cerrado e áreas de mata. O parque é destino tanto de pesquisadores quanto de turistas em busca de contato direto com a natureza.
Entre os atrativos naturais:
Cachoeira do Sentinela: queda de maior volume, com poço para banho.
Cachoeira dos Cristais: águas claras e cenário fotográfico.
Trilhas e mirantes: caminhos que variam de fácil a moderado, revelando paisagens da Serra do Espinhaço.
A visita exige preparo mínimo, mas as trilhas recompensam com cenários de alto valor ambiental.
Quando é melhor visitar a vila?
O acesso pode ser feito o ano inteiro, mas cada período traz características próprias:
Estação seca (maio a setembro): clima ameno, trilhas seguras e rios mais baixos.
Período chuvoso (outubro a março): cachoeiras mais cheias, mas também maior risco de trombas d’água.
Essa variação sazonal mostra que Biribiri pode ser revisitada em épocas diferentes, sempre com novas paisagens.
Quais cuidados o visitante deve ter?
Por estar dentro de um parque estadual e de uma comunidade preservada, algumas atitudes são indispensáveis:
Recolher todo o lixo produzido.
Respeitar o templo religioso e os moradores.
Evitar som alto ou práticas que incomodem o ambiente.
Redobrar atenção nas cachoeiras em dias de chuva.
Esses cuidados ajudam a manter Biribiri como patrimônio cultural e natural de Minas Gerais.
A gastronomia faz parte da visita?
Sim. Os pequenos restaurantes familiares da vila são conhecidos por oferecer pratos feitos no fogão a lenha e, sobretudo, pelo tradicional pastel de carne, que virou marca registrada de Biribiri.
Mais do que comer, almoçar na vila é vivenciar a hospitalidade mineira em um espaço histórico.
Como Biribiri se conecta com Diamantina?
Localizada a cerca de 12 km de Diamantina, a vila pode ser visitada em um bate-volta ou integrada a roteiros maiores pela região. Enquanto Diamantina impressiona pelo patrimônio barroco reconhecido pela UNESCO, Biribiri oferece outra perspectiva: a simplicidade da vida operária preservada em meio à natureza.
Essa complementaridade torna a visita à região ainda mais rica.
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Vale a pena dormir em Biribiri?
Grande parte dos turistas visita em um dia, mas pernoitar permite outra experiência. À noite, a ausência de luz artificial revela um céu estrelado de grande beleza.
Para quem busca tranquilidade, dormir em Biribiri é forma de mergulhar na vida simples da vila e viver o ritmo da serra.
Passado e natureza em sintonia
A Vila do Biribiri mostra como o passado ainda respira entre montanhas mineiras. Sua fábrica de tecidos, a Capela do Sagrado Coração de Jesus, o conjunto de casas e as cachoeiras do parque formam um cenário onde história e natureza convivem.
Visitar Biribiri é compreender que a memória não está apenas nos centros barrocos, mas também em comunidades que mantêm vivo o legado de trabalho, fé e simplicidade.
Sobre o autor:
Igor Souza é criador do Olhares por Minas, fotógrafo e especialista em turismo mineiro. Viaja por cidades históricas, cachoeiras e vilarejos, buscando contar as histórias que Minas tem a oferecer. Saiba mais sobre o autor clicando aqui.


Vila do Biribiri/MG - Foto: Igor Souza