Descoberta em Minas mostra como o passado ainda respira entre as montanhas

Conheça a Vila do Biribiri, em Diamantina, e veja como a história e a natureza revelam que o passado ainda respira entre as montanhas de Minas

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
30/08/2025

Entre as serras que moldam a paisagem de Diamantina, a Vila do Biribiri guarda um passado do século XIX que ainda se mantém vivo. Criada em torno de uma fábrica de tecidos e preservada até hoje, a comunidade combina história operária, religiosidade e natureza em um só espaço. O visitante encontra ruas de terra, casas brancas e o silêncio da serra, que juntos contam a memória de uma Minas diferente da que se vê nos centros históricos barrocos.

  • Vila fundada em 1876 para abrigar operários de uma fábrica têxtil.

  • Preservação do conjunto arquitetônico e da Capela do Sagrado Coração de Jesus.

  • Parque Estadual do Biribiri com trilhas e cachoeiras como Sentinela e Cristais.

Como surgiu a Vila do Biribiri?

A Vila do Biribiri nasceu em 1876, fruto da iniciativa do bispo de Diamantina, Dom João Antônio dos Santos, junto de Joaquim e Antônio Felício dos Santos, que instalaram uma fábrica de tecidos no local. O objetivo era oferecer trabalho e sustento em um período em que a mineração já não sustentava a economia regional.

Para receber os operários, ergueu-se um conjunto de casas simples, alinhadas em ruas de terra batida, formando o núcleo que se tornaria a vila. Essa estrutura ainda hoje pode ser vista, preservada como parte do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Biribiri, tombado pelo IEPHA/MG em 1998.

A fábrica de tecidos ainda existe?

A fábrica encerrou suas atividades na década de 1970, mas o prédio permanece de pé. As paredes de pedra e os galpões preservam a memória de uma época em que centenas de trabalhadores e suas famílias dependiam diretamente da produção têxtil.

  • Símbolo de industrialização em área serrana.

  • Estrutura ainda visível na paisagem da vila.

  • Ponto de interesse histórico para visitantes.

Hoje, a fábrica desativada é parte essencial do conjunto arquitetônico e reforça a importância de Biribiri como registro vivo do passado mineiro.

Qual é a importância da Capela do Sagrado Coração de Jesus?

A religiosidade marcou a vida comunitária de Biribiri. A Capela do Sagrado Coração de Jesus foi erguida para atender à população operária e até hoje é o único templo da vila. Simples em arquitetura, a capela reúne elementos típicos do período e permanece como espaço de devoção, além de referência visual para quem chega ao vilarejo.

Para os visitantes, a capela é oportunidade de compreender como fé e cotidiano estavam entrelaçados na vida de uma vila operária.

Como a arquitetura mantém o passado?

As casas de taipa, adobe e alvenaria, pintadas de branco e com janelas coloridas, estão alinhadas nas ruas de terra e compõem um cenário típico do século XIX.

Algumas delas ainda são ocupadas por moradores, outras se transformaram em restaurantes familiares, e parte permanece fechada. Essa diversidade de usos mostra como a vila conseguiu manter sua essência histórica sem deixar de acolher visitantes.

O que há no Parque Estadual do Biribiri?

Criado em 1998 e administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG), o Parque Estadual do Biribiri protege mais de 20 mil hectares de campos rupestres, cerrado e áreas de mata. O parque é destino tanto de pesquisadores quanto de turistas em busca de contato direto com a natureza.

Entre os atrativos naturais:

  • Cachoeira do Sentinela: queda de maior volume, com poço para banho.

  • Cachoeira dos Cristais: águas claras e cenário fotográfico.

  • Trilhas e mirantes: caminhos que variam de fácil a moderado, revelando paisagens da Serra do Espinhaço.

A visita exige preparo mínimo, mas as trilhas recompensam com cenários de alto valor ambiental.

Quando é melhor visitar a vila?

O acesso pode ser feito o ano inteiro, mas cada período traz características próprias:

  • Estação seca (maio a setembro): clima ameno, trilhas seguras e rios mais baixos.

  • Período chuvoso (outubro a março): cachoeiras mais cheias, mas também maior risco de trombas d’água.

Essa variação sazonal mostra que Biribiri pode ser revisitada em épocas diferentes, sempre com novas paisagens.

Quais cuidados o visitante deve ter?

Por estar dentro de um parque estadual e de uma comunidade preservada, algumas atitudes são indispensáveis:

  • Recolher todo o lixo produzido.

  • Respeitar o templo religioso e os moradores.

  • Evitar som alto ou práticas que incomodem o ambiente.

  • Redobrar atenção nas cachoeiras em dias de chuva.

Esses cuidados ajudam a manter Biribiri como patrimônio cultural e natural de Minas Gerais.

A gastronomia faz parte da visita?

Sim. Os pequenos restaurantes familiares da vila são conhecidos por oferecer pratos feitos no fogão a lenha e, sobretudo, pelo tradicional pastel de carne, que virou marca registrada de Biribiri.

Mais do que comer, almoçar na vila é vivenciar a hospitalidade mineira em um espaço histórico.

Como Biribiri se conecta com Diamantina?

Localizada a cerca de 12 km de Diamantina, a vila pode ser visitada em um bate-volta ou integrada a roteiros maiores pela região. Enquanto Diamantina impressiona pelo patrimônio barroco reconhecido pela UNESCO, Biribiri oferece outra perspectiva: a simplicidade da vida operária preservada em meio à natureza.

Essa complementaridade torna a visita à região ainda mais rica.

+ Leia também: Os motivos para visitar essa cidade ainda este ano

Vale a pena dormir em Biribiri?

Grande parte dos turistas visita em um dia, mas pernoitar permite outra experiência. À noite, a ausência de luz artificial revela um céu estrelado de grande beleza.

Para quem busca tranquilidade, dormir em Biribiri é forma de mergulhar na vida simples da vila e viver o ritmo da serra.

Passado e natureza em sintonia

A Vila do Biribiri mostra como o passado ainda respira entre montanhas mineiras. Sua fábrica de tecidos, a Capela do Sagrado Coração de Jesus, o conjunto de casas e as cachoeiras do parque formam um cenário onde história e natureza convivem.

Visitar Biribiri é compreender que a memória não está apenas nos centros barrocos, mas também em comunidades que mantêm vivo o legado de trabalho, fé e simplicidade.

Sobre o autor:

Igor Souza é criador do Olhares por Minas, fotógrafo e especialista em turismo mineiro. Viaja por cidades históricas, cachoeiras e vilarejos, buscando contar as histórias que Minas tem a oferecer. Saiba mais sobre o autor clicando aqui.

Casa histórica e igreja histórica na Vila do Biribiri, em Diamantina, MG
Casa histórica e igreja histórica na Vila do Biribiri, em Diamantina, MG

Vila do Biribiri/MG - Foto: Igor Souza

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